Por que estamos nas redes sociais?
A contradição existe porque as big techs criaram essa armadilha.
A razão de existir da CTRL+Z é enfrentar o modelo predatório de big techs. Então, você pode se perguntar (com toda razão): por que estamos nas redes sociais?
A nossa presença (ou ausência) nas redes foi decidida a partir de muita reflexão. E nós defendemos que precisamos ser transparentes sobre nossas escolhas – porque abrir esse processo decisório também é didático sobre a profundidade da captura e dependência estrutural que temos dessas plataformas.
A primeira razão é estratégica. Nós precisamos chegar onde as pessoas estão. E, no Brasil, elas estão nas redes sociais. Mais da metade dos brasileiros (51%) usam redes sociais como principal fonte de informação. Destes, o Instagram é a rede mais utilizada, seguida por YouTube e Facebook. Nós acreditamos que esse espaço deve ser disputado.
Você é só um “usuário” para a plataforma. Suas interações são transformadas em dados. Os seus dados alimentam os sistemas. Mas, para nós, é um cidadão capaz de se organizar e mover as estruturas. Se essa mensagem chegou até você, é porque estamos no lugar certo.
Para denunciar como as plataformas funcionam, precisamos estar nelas. Monitorar, documentar, testar algoritmos, identificar padrões e violações. Mas como mudar o sistema dentro do sistema?
Primeiro, entendendo e explicando como ele funciona. Mostrando que o scroll infinito que drena sua energia é estratégia de negócio. E que a sequência de vídeos engajantes foi cuidadosamente programada para te prender. Quando você toma essa consciência, é difícil cair nos mesmos truques.
Segundo, buscando rotas de saída. Nós defendemos e usamos plataformas descentralizadas – tudo o que está no Instagram está também no BlueSky e no Fediverso, via Mastodon, e muito mais na nossa newsletter livre de algoritmos. Esse é só um dos canais.
Terceiro, sendo transparentes com as nossas contradições. Nós procuramos alternativas às big techs sempre que possível – e pretendemos falar sobre elas com frequência em nossos canais. Mas entendemos que a dependência estrutural é profunda e essa transição nem sempre é fácil. Hábitos levam tempo para serem modificados.
Há coisas, no entanto, que não abrimos mão. Assim como não recebemos financiamento de big techs, jamais vamos dar um centavo para o Google ou a Meta. Nós vamos crescer aos poucos, sem impulsionamento ou anúncios: e sabemos que vocês vão nos ajudar a levar essa mensagem adiante.
É importante ter em mente que a contradição entre criticar e usar existe porque as big techs criaram essa armadilha. Suas estratégias agressivas de crescimento e retenção foram extremamente eficazes. Aqui no Brasil, por exemplo, o Facebook se beneficiou de planos de zero rating, que promoveram uma inclusão digital pela metade: a internet ‘grátis’ de muita gente ficou restrita à rede social. O aplicativo já vinha instalado de fábrica nos celulares, especialmente nos mais baratos.
Muitos brasileiros ficaram trancados nas redes sociais. E, agora, permanecem nelas porque precisam. Pequenos negócios, veículos independentes, movimentos sociais e comunidades inteiras dependem desses canais.
Perguntamos aos nossos seguidores por que eles ainda estão nas redes sociais. O resultado:
“Por que não estar é um pouco alienante já que todos (maioria) estão”
“(In)felizmente ainda existem coisas boas na internet"
“Vício. vontade de sair mas não ter para onde ir"
“Vício mesmo”
“Queria muito sair, hoje inclusive fiquei procurando onde proibir a Meta de usar meus dados, difícil"
Nós estamos todos nesse mesmo barco. Por isso, não podemos tratar essa questão como individual. A sociedade inteira, de governos a pequenos negócios, também vive essa mesma profunda dependência. Produzir conteúdo virou parte de qualquer trabalho. Estamos todos trabalhando para as plataformas – muitas vezes, contra a nossa vontade. Escolhas pessoais importam. Mas é preciso lembrar: esse é um problema coletivo.
Vamos seguir batalhando por alternativas – mas enquanto isso, nós estaremos onde as pessoas estão. Estamos nas redes sociais porque sabemos que disputar esse espaço é mais eficaz do que abandoná-lo.
E você, por que você (ainda) está nas redes sociais?


