Por dentro da CTRL+Z #1: Dois anos em dois meses
Hoje é nosso mêsversário. Vem comemorar com a gente?
Querid@s ctrlzeir@s,
Hoje completamos dois meses de existência! 🎉 Foram meses intensos desde o nosso lançamento no Formosa Hi-Fi, no centro de São Paulo, em uma sexta-feira chuvosa que aqueceu nossos corações. E, desde então, muita coisa já aconteceu por aqui. Por isso, decidimos que era hora de começar a contar para vocês o que está rolando – até para a gente manter esse canal aberto sobre nossas atividades, projetos e ideias. A CTRL+Z é formada por pessoas e é voltada para pessoas, e o que fazemos só faz sentido se estivermos juntos.
Então, vamos lá:
Nossos projetos
#VAZABIGTECH: A nossa plataforma de denúncias anônimas. Nela, funcionários ou qualquer outra pessoa que tenha informações importantes de interesse público sobre big techs podem se comunicar de forma segura com a gente para dar início a investigações jornalísticas. Veja esse vídeo e saiba como funciona.
Arquivo de Danos Digitais - ADD+: A gente sempre diz: um caso é só um caso, mas muitos casos são evidência. É para isso que criamos o arquivo. Queremos documentar relatos de usuários de violações de direitos e más práticas das big techs – e conectar as vítimas com quem pode oferecer assistência jurídica. Contamos alguns desses casos nas redes sociais, e começamos a ter resultado: ajudamos a produtora de conteúdo Ana Freitas a recuperar sua conta do Gmail e conseguimos uma liminar para que a Meta restabeleça o perfil do jornal Gazeta de Vargem Grande (a Meta ainda não cumpriu, mas a gente segue na luta).
Cartilha de Lobby das Big Techs: traduzimos e adaptamos o material da SOMO, organização holandesa que investiga grandes corporações, sobre como opera o lobby das empresas de tecnologia. A SOMO mostrou que as táticas de controle de narrativas, influência política e aliança com a extrema direita se repetem em vários países – inclusive aqui no Brasil. A Cartilha é um recurso para reconhecer – e combater – essas práticas.
Newsletter: aqui a gente apresenta investigações e análises originais da nossa equipe. Falamos de IA, de trabalho, de vício em redes sociais, de lobby e política. Já foram 14 textões – se você perdeu algum, leia todos aqui.
Nossa comunidade
A nossa parte preferida: vocês <3
Já explicamos nesse texto porque estamos nas redes sociais – embora a gente critique-as com força. Acreditamos que precisamos chegar onde as pessoas estão. E, no Brasil, elas estão nas redes sociais. Em apenas dois meses, chegamos a 20 mil seguidores no Instagram – um feito e tanto para quem não investiu um real em impulsionamento. Nossos conteúdos chegaram a mais de 1 milhão de pessoas! E é tudo orgânico: nós e vocês.
Além do Instagram, também estamos no Mastodon, no Bluesky, no Instagram e no TikTok. Lá você acompanha nossos vídeos, nosso boletim de vitórias (o melhor momento da semana: comemoramos derrotas de big techs) e nossos guias com alternativas tecnológicas. Já rolou com alternativas de browsers e buscadores, e para tentar usar redes sociais sem ser sugado.
Tudo é construído com muita conversa com a nossa comunidade ctrlzeira 🙂 E anota aí que, em breve, teremos novidades sobre isso. E achamos que vocês vão gostar.
Andanças
Daniela e Tatiana, junto com Gus, do Tor Project, apresentaram a #VAZABIGTECH na Cryptorave, com uma oficina sobre como e porque criar um canal seguro para denúncias contra empresas de tecnologia.
Não teve RightsCon 😢, mas mesmo assim o Luã foi até a Zâmbia para participar do evento Earthkeepers vs AI Empires, onde pudemos nos conectar com gente boa de briga de várias partes do mundo, tinha moderadora de conteúdo do Quênia, trabalhadora estadunidense da Amazon, ativista espanhol contra data centers… E logo que voltou, já emendou no Fórum da Internet do Brasil, em Belém do Pará, onde chegamos lançando a seguinte pergunta: no que você daria CTRL+Z?
A Daniela também esteve em Niterói, no encontro Elas Governam, organizado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos. Lá ela participou do painel “Desafios na era digital: violência política de gênero e raça, misoginia, pedofilia e ascensão de grupos de ódio contra meninas e mulheres na internet”, e conversou com prefeitas, vices e secretárias de todo país sobre a necessidade de responsabilizar as big techs sobre seu papel nesses desafios.
E a Tatiana foi pra Perugia, na Itália, no Festival Internacional de Jornalismo, para participar de um painel sobre como cobrir inteligência artificial além do hype. Lá, com jornalistas e pesquisadores de todo o mundo, se discutiu muito o futuro do jornalismo e a dependência das big techs – dois pontos cruciais pra gente.
Na mídia
Taí um negócio que foi intenso. A CTRL+Z foi destaque no Globo, no G1, na Folha de S.Paulo, Fast Company, Tecmundo, em veículos de Portugal e no Jornal da Tarde da TV Cultura. E se você é de podcast e gosta de mergulhar em um tema, vale ouvir o episódio da Rádio Escafandro sobre a Meta, que teve a participação da Daniela.
Veja também:
Nosso levantamento de casos de violações de big techs registradas no Consumidor.gov.br foi destaque na Folha de S.Paulo.
A #VazaBigTech foi notícia na Mídia Ninja, Núcleo Jornalismo, UOL Tilt, Olhar Digital e CNN, entre outros.
À revista Elle, falamos sobre a moda e os techbros (na verdade, sobre como o rebranding desses caras significa muito mais do que visual – faz parte de seu projeto de poder)
À Latam Journalism Review, falamos sobre nossa visão de jornalismo e tecnologia (em inglês)
Com a Agência Lupa, conversamos sobre a ANPD e seu papel na fiscalização do ECA Digital e dos novos decretos para plataformas digitais.
Também conversamos com a Superinteressante sobre as ideologias do Vale do Silício.
Andamos lendo, ouvindo e assistindo
Porque nem só de trabalho a gente vive, né? Essas coisas nos fizeram pensar sobre a nossa relação com as tecnologias – e o mundo que a gente tá criando:
O Acidente do Piano (2025) – Eu confesso que não sei porque o filme é classificado como comédia, porque pra mim ele é um filme de terror. Me deixou apavorada. Adèle Exarchopoulos está irreconhecível como Magalie, uma influenciadora que ganhou fama e dinheiro com vídeos extremos. É um filme que leva ao limite a cultura dos influenciadores turbinados por algoritmos. Não vou dar spoiler, mas posso dizer que, apesar da bizarrice, é bastante verossímil para quem conhece a fundo o tipo de conteúdo premiado pelas plataformas – e por isso, extremamente assustador. Eu não dei uma risada sequer, mas recomendo mesmo assim. Disponível no Mubi. (Tatiana Dias, diretora de programas da CTRL+Z)
Ruptura (2022) – É uma série sobre os funcionários do Departamento de Refinamento de Dados das Indústrias Lumon, e que se submetem a um procedimento cirúrgico experimental que os separa em duas identidades incomunicáveis: uma presa ao trabalho corporativo sem conhecer o mundo exterior, e outra vivendo normalmente fora da empresa sem saber o que seu “eu” profissional faz. A partir da rotina de anotação de dados, a trama também critica os ambientes onde os trabalhadores desconhecem o propósito real de suas tarefas. Disponível na Apple TV+. (Luã Cruz, diretor de litigância da CTRL+Z)
Decálogo - Ep1. Amarás a Deus Sobre Todas as Coisas (1989) – De Krzysztof Kieślowski, diretor da trilogia das cores, Decálogo é uma das séries de TV mais influentes da história, e seu primeiro episódio, embora já tenha quase 40 anos, é um retrato atual da nossa relação com IA. Na trama, pai e filho vivem uma rotina mediada pelo computador, praticamente um objeto de adoração, até que a máquina comete um erro matemático que mudará suas vidas para sempre. Indisponível em serviços pagos de streaming no Brasil – mas você sabe onde conseguir ;) (Rique Sampaio, coordenador de redes sociais da CTRL+Z)
Apagando a História - Como os Fascistas Reescrevem o Passado para Controlar o Futuro (2025) – Comecei a ler esse livro por recomendação do Prof. Sérgio Amadeu da Silveira, que o citou na sua palestra final da Cryptorave. É uma leitura interessante para quem quer entender como regimes autoritários atuais prosperam, não pela força bruta, mas pela manipulação da memória coletiva. Stanley demonstra com clareza perturbadora como a desinformação, os ataques sistemáticos às instituições educacionais e o controle das narrativas históricas funcionam como ferramentas de dominação política. É impactante pensar no quanto esses mecanismos se tornam mais sofisticados e perigosos com as redes sociais. Quando algoritmos amplificam mentiras com mais eficiência do que verdades, e quando a arquitetura das plataformas nos deixa mais vulneráveis à manipulação, o apagamento da história passa a ser um processo difuso, quase invisível, que se infiltra no cotidiano. Temos muito trabalho pela frente. (Daniela da Silva, diretora executiva da CTRL+Z)
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