Querida comunidade,
Escrevemos com o coração sereno e cheio de esperança. Ontem foi um dia histórico na luta contra as big techs no Brasil. Ocupamos a Faria Lima com o povo. Transformamos a discussão sobre algoritmos, censura e monopólios, que convenientemente foi por muito tempo restrita a técnicos, em um problema de todos nós – como deveria ser. E esse movimento não vai parar aqui.
(Foto: Sérgio Borelli)
Depois de semanas censurando, restringindo e banindo brasileiros em suas redes, nesta segunda-feira a Meta não teve como bloquear a nossa voz. Porque a gente estava na rua: no coração do maior centro financeiro do Brasil, na frente do prédio onde fica a Meta, durante quatro horas.
Eles até tentaram cercar a Praça da Baleia, um cartão-postal da região, com um gradil, mas isso não impediu que as vias públicas ao lado do prédio e toda uma faixa da Av. Faria Lima fossem ocupadas por movimentos sociais, entidades da sociedade civil, coletivos, ativistas, lideranças políticas, fandoms e pela população, que nunca esteve tão insatisfeita e revoltada com as big techs.
O ato reuniu, além das organizadoras – nós da CTRL+Z, a Código Não-Binário, Diracom, Artigo 19 Brasil, Fórum Nacional de Democratização da Comunicação e Núcleo de Tecnologia do MTST – muitos movimentos sociais, de bancários e petroleiros aos fandoms, políticos, e ativistas de muitas lutas diferentes. Porque a arbitrariedade das decisões e os impactos negativos das big techs atingem todos nós, e ficou claro que lutar contra o poder dessas empresas é também lutar contra a extrema-direita, sua aliada política, e também contra o domínio dos EUA sobre nosso país.
Além de fazer barulho e expor a indignação popular, o ato em frente à Meta tinha um objetivo: cobrar retratação e reparação da Meta pela evidente interferência que ela tem causado nas nossas eleições e pelos milhares de casos de censura que atingem especialmente o campo progressista. Na CTRL+Z, já documentamos mais de 1.200 casos só nas últimas semanas.
(Foto: Sérgio Borelli)
No comecinho da noite, nós lemos as demandas que encaminhamos ao Country Manager da Meta no Brasil, Conrado Leister. Exigimos a reparação dos danos causados, o fim do shadowban, transparência nas decisões de moderação e canais reais de contestação para quem foi atingido. Também pedimos que a Meta preserve os registros de moderação e de distribuição de conteúdo, para que o TSE, o Ministério Público e a sociedade civil possam auditar o que está acontecendo.
Em seguida, caminhamos até a porta da Meta, acompanhados de jornalistas, para deixar a notificação extrajudicial pedindo o comprometimento da Meta com essas exigências. O ato foi totalmente pacífico, sem absolutamente nenhuma ocorrência. Mesmo assim, esse foi o momento mais tenso da noite, porque os seguranças não queriam nos deixar avançar nem mesmo até a área em frente à porta de entrada da Meta.
Depois de alguns minutos de negociação, autorizaram a entrada de duas representantes do movimento: Daniela da Silva, diretora executiva da CTRL+Z e ex-diretora do WhatsApp da Meta no Brasil e Veronyka Gimenez, diretora da Código Não Binário, a Travahacker. Só que a Meta direcionou ambas para o estacionamento e ofereceu que o documento fosse recebido ali, por um funcionário terceirizado, sem que ninguém pudesse testemunhar. Nós não concordamos com esses termos. Por isso, decidimos que, se o Conrado Leister não pode receber uma notificação impressa em papel nos nossos termos, então ele vai receber de todo mundo, por meio do nosso site – basta preencher aqui e enviar direto para ele os pedidos.
(Foto: Sérgio Borelli)
A Meta precisa responder à demanda popular. A Meta precisa respeitar o Brasil e o povo brasileiro. O ato de hoje marca o início de um movimento nacional contra big techs não apenas por ser a primeira ação massiva direcionada a essas empresas – mas, também, porque materializou a luta que já estava acontecendo nas plataformas deles. Por que fazer uma campanha eleitoral e uma articulação dentro das redes da Meta é como jogar no campo inimigo. Mas, nas ruas, quem manda é a gente. Eles podem bloquear nossos perfis, mas não a nossa presença.
(Foto: Sérgio Borelli)
É muito confortável que as big techs tenham essa aura de superpoderosas empresas na “nuvem”, inalcançáveis. Mas o dia de hoje mostrou que elas não são. Gigantes de tecnologia são feitas de escritórios físicos, territórios, e recursos naturais – que elas querem sugar do nosso país. São também feitas por pessoas que tomam decisões e precisam ser responsabilizadas por isso. Por trás de cada bug, cada bloqueio, cada conta derrubada, cada resposta robotizada, existem responsáveis, e nós não descansaremos enquanto essa empresa não prestar contas do que está fazendo com as nossas eleições.
A Meta pode até tentar se esconder atrás de desculpas de “falha técnica”, comunicados de RP cínicos e gaslighting corporativo – isto é, quando tentam nos convencer que os problemas que estamos vendo não estão acontecendo –, mas essa luta chegou num ponto de não-retorno.
Já aconteceram protestos em Dublin e em Paris. Novos atos estão marcados em Nova York, na Califórnia e em Amsterdam. Estamos no começo de algo enorme, e cada um de vocês faz parte disso.
O que fazer agora?
Envie a sua própria notificação a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil;
Assine a nossa petição para pressionar o TSE a cobrar respostas da Meta.
Seguimos juntos.









Lindo de ver essa mobilização! Obrigada ❤️❤️❤️
Parabéns. Continuemos na luta